Snatcher

Não vou dizer que no passado efetivamente joguei Snatcher mas, principalmente, observei meu amigo Lantis desbravando a história desse incrível game do mestre Hideo Kojima, em sua versão do Mega CD. Louco por adventures no PC, ver um game desse estilo para um videogame era deveras interessante mas, como eu não tinha o console, resolvi guardar na mente o pouco da história que absorvi para, quem sabe um dia, pudesse jogá-lo como um game dessa categoria deve ser jogado: por completo.

Há jogos que os gamers clamam por remakes...outros ganham continuações para suas sagas...outros porém, são completos em sua história original. Este é o caso de Snatcher e, jogando-o pude chegar a esta conclusão. Dentro das limitações do Mega CD e apesar de algumas modificações para atender um conteúdo mais adequado ao mercado ocidental, ele é melhor que as versões anteriores e subsequentes de outras gerações, como Sega Saturn e Sony PlayStation, que tiveram cenas reconhecidamente violentas – porém marcantes – modificadas em suas versões.

A história do game é a seguinte: em 6 de junho de 1996, uma explosão ocorrida em um Centro de Pesquisas próximo a Moscou liberou no ar uma substância letal chamada Lucifer-Aplha, uma arma biológica que secretamente era desenvolvida no local. Levada à força dos ventos, acabou por matar 80% da população asiática e europeia e tornando os locais por onde passou inabitáveis por décadas, até por fim tornar-se uma substância não letal. Esse acontecimento ficou conhecido como “A Catástrofe”.

Cinquenta anos depois, uma forma de vida artificial é descoberta entre os destroços de um acidente aéreo. Chamados bio-roids, eram robôs de aparência humanoide e que tinham fluídos normais aos humanos como suor e sangue bem como seus tecidos externos, dificultando sua identificação entre os próprios seres humanos. Para tornar a situação caótica, foi identificado um padrão de comportamento violento de tais bio-roids, aos quais foram atribuidos raptos e assassinatos de humanos - em especial os que tinham grande representatividade na sociedade - e os substituindo fisicamente sem levantar suspeitas. Por esse motivo, são chamados então de Snatchers.

Para combater tal ameaça, é criada em 2047 pelo governo japonês uma força-tarefa chamada J.U.N.K.E.R (Japanese Undercover Neuro Kinetic Elimination Ranger) que age na cidade de Neo Kobe no Japão, palco de inúmeros atos violentos atribuídos aos Snatchers. Você é Gilian Seed, um agente treinado militarmente que entra para a força J.U.N.K.E.R para caçar e exterminar os Snatchers. Tudo isso enquanto vive um drama pessoal, buscando respostas para seu passado envolto em mistério devido a uma amnésia profunda, que envolve também sua ex esposa, Jamie Seed.

Os gráficos de Snatcher seguem o padrão de um adventure comum, porém, muito bem ambientados a um clima de mistério e suspense constante. Em cada local que você visita ou busca pistas, sempre haverá muito o que fazer para seguir a investigação. Objetos se tornam evidências, pequenos elementos corriqueiros tornam-se parte da história, personagens bem desenhados e trabalhados podem ser vitais para o prosseguimento do jogo, enquanto outros acabam por fazer parte da trama como coadjuvantes. Os locais de investigação sempre trazem elementos que o deixarão tenso, como fábricas abandonadas, residências de suspeitos e nigh clubs (onde você encontrará até personagens famosos da Konami caindo na farra!).

Os sons e músicas são parte crucial do jogo. Se o ambiente é tenso e envolto em mistério, as músicas e sons apesar de simples, conseguem passar exatamente o clima que é proposto visualmente. Muitos diálogos tem vozes gravadas para diversas situações, enquanto sua continuidade e complexidade são representados através de textos enquanto a investigação prossegue.

A jogabilidade é dividida em duas partes: a comum a qualquer adventure como olhar, investigar, perguntar, mostrar e utilizar objetos, entre outros, bem como a parte de ação no qual, com uso do joystick ou da pistola “Justifier”, produto oficial da Konami, você atirará em inimigos nos poucos mais interessantes momentos de combate corpo á corpo contra os Snatchers.

Se na parte de investigação os controles são impecáveis, pecam um pouco na parte de ação, tendo uma resposta as vezes lenta demais ou não obedecendo comandos simples. Sorte que o “save” está sempre ao alcance, embutido entre as funções de seu fiel companheiro robô, o Metal Gear Mk II, versão de análise enxuta e pacífica de um antigo robô de combate militar, que carregava até armas atômicas (Kojima tinha que mostrar um pouco de seu portfólio, certo?)... ;)

Obviamente que um adventure tem pouco apelo no quesito replay. É o tipo de jogo que você joga uma vez até o fim e ele continua na lembrança por sua ótima história (principalmente seus desdobramentos) e ao qual você recomenda sem medo para quem nunca deu uma chance a ele. :)

Antes, eu apenas tinha vontade de jogar Snatcher e conhecer sua história. Hoje, posso recomendar a todos que buscam um enredo interessante e misterioso, com final realmente surpreendente. O pouco que sabia através de amigos se tornou lembrança marcante quando pude ver que eles na verdade escondiam alguns elementos cruciais, talvez até para não estragar a surpresa... ;) Valeu a pena esperar...

by Luo=-_

Prós:

  • Ambientação, personagens e sons sempre seguem um clima perfeito de mistério.
  • História muito bem elaborada, detalhada minunciosamente.
  • Nem muito longo, nem muito curto...para terminar em 3 dias tranquilamente.

Contras:

  • Controles do modo combate as vezes dão umas falhadas...
  • Crítica aos gamers da época, que não compraram o jogão e ele vendeu pouco! :(
NOTA FINAL

8.5

ÓTIMO!

 

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