Todo mundo pelo menos que foi PC GAMER das antigas, lembra de um jogo que saiu um tempo depois do Duke Nukem, chamado Blood, que se caracterizava por ter muito sangue, violência e gritos histéricos de cultistas levando tiro e zumbis pegando fogo, além de outas criaturas abomináveis.
Nos tempos do velho oeste por volta de 1871, existia um pistoleiro implacável de nome Caleb, além de bom no gatilho, rápido nas palavras, em tons irônicos e sarcásticos usa e abusa do humor negro, além de odiar mímicos. Em suas peregrinações pelo velho oeste, acaba encontrando uma fazenda queimada e nela uma mulher insana e moribunda chamada Ophélia, a qual ajuda a se recuperar de todos os seus ferimentos e a traz de volta a sanidade. Ophélia pertence ao culto chamado Cabal. Seu marido tentou se desligar do culto, o que resultou no incêndio da fazenda e na morte dele e do seu filho recém nascido. Fiel a seita, Ophélia culpou seu marido pelas mortes e apresentou Caleb a seita. Em pouco tempo Caleb, Ophélia se tornaram os “escolhidos”, junto com Gabriel e Ishmael, que eram os generais de Tchernobog, deus negro adorado pelos seguidores de Cabal. Porém, por inúmeras falhas não explicadas, os “escolhidos “ são sacrificados: Ophélia por Cheog o Gárgula, Ishamel por Cérberus, cão de duas cabeças e Gabriel por Shial a aranha. Caleb é amaldiçoado a passar a eternidade em um túmulo. Em 1928, ele acorda e começa sua vingança contra o Cabal e ao deus Tchernobog.
O jogo usa os moldes antigos, quatro episódios com oito fases (sendo uma secreta). No demo vinha disponível o primeiro episódio completo, bem diferente de hoje, em que os demos muitas vezes não duram nem dez minutos. A dificuldade ia crescendo com o seu avanço nas fases, iam aparecendo inimigos mais difíceis, porém, na mesma progressão armas mais poderosas também ficavam disponíveis para Caleb. A lista de armas e monstros de Blood é bem variada, e para mim, uma das mais criativas, adotando elementos clássicos de filmes de horror, como zumbis, fantasmas e até mesmo da família Adams.
Todas as armas possuem modo alternativo de tiro:
Garfo de Feno: Arma infinita, só espeta os monstros de perto.
Escopeta de dois canos serrados: Arma para distâncias curtas, tem dois modos de disparo, tiro simples ou duplo, que faz muito mais estrago.
Tommy Gun: mais conhecida como arma dos gansters dos anos 30, usa o tambor redondo com 50 balas, ideal para médias distâncias. Seu modo alternativo de tiro faz com que acerte mais de um inimigo ao mesmo tempo no campo de tiro.
Dinamite: a granada do jogo, muito poderosa e vem em 3 versões: Normal, de proximidade e detonação remota. A dinamite normal, seu ataque alternativo faz com que ela demore mais para detonar, sendo que o ataque normal ela explode ao contato. A de proximidade os dois são iguais, e a de detonação remota, permite que você jogue mais de uma para explodir depois, aumentando a potência de dano e ideal para armadilhas.
Arma de Sinalizador. usada para sinalização mas no jogo serve para atear fogo nos inimigos. Seu disparo comum atinge o alvo e após algum tempo o incendia. Seu tiro alternativo faz com que o sinalizador seja detonado e cause um incêndio imediato em quem estiver no alcance.
Lançador de Napalm: bazuca que lança uma bola de fogo que explode ao contato. Seu tiro alternativo faz com que tudo em volta pegue fogo instantaneamente.
Lata de Spray: com o auxílio de um isqueiro, serve como lança chamas. No seu segundo ataque, ela se transforma em uma granada incendiária.
Arma Tesla: Referência ao físico russo Nikolai Tesla, ela dispara uma rajada de eletricidade que frita quem estiver na frente. Sua forma alternativa de ataque ele lança uma rajada mais concentrada.
Boneco Vodu: arma interessante, só colocar a mira no inimigo e espetar o boneco com o ataque normal, que ele receberá o dano. Cuidado, pois a arma se usada sem ninguém na mira, Caleb espeta a mão e recebe dano. O ataque alternativo dela mata inimigos mais fracos na hora, e inflige mais dano nos mais fortes.
Cetro sugador de vida: arma que lança esferas de energia que ao atingir o inimigo sugam sua força vital e a transferem para Caleb. O ataque alternativo é a mesma coisa.
Eis aqui uma lista dos monstros:
Zumbi com o machado: grita “BRAINS” (miolos) fazendo alusão ao filme NOITE DOS MORTOS VIVOS. Bem fácil de enganar, resistente a tiros, porém facilmente eliminado com explosivos ou fogo. Ao morrer solta a cabeça que pode ser chutada a todo canto, como uma bola de futebol.
Cultista: um dos mais comuns também, geralmente vestidos com robes, que variam a cor e as armas que empunham. Os marrons usam escopetas de 2 canos e arremessam dinamite, os cinzas chamados de Fanáticos, carregam Tommy Guns. São os soldados rasos, dão gritos histéricos e falam em uma linguagem estranha e engraçada. Quando pegam fogo choram como crianças terminando em um grito de desespero. Muito engraçado mesmo.
Gárgulas: monstro aéreo padrão, bem resistentes, rápidos e fortes. Extremamente chatos...o chefe do primeiro episódio, Cheog é difícil, e requer uma tonelada de tiros para ser morto, você chega a pensar que ele não vai morrer nunca.
Zumbi Açougueiro: versão mais forte do zumbi, armado com um cutelo, o qual ele arremessa, e também ataca com bolas verdes de vômito. Forte mas bem lento, alvo perfeito para ser incendiado.
Aranhas: vem em duas versões, vermelhas e verdes. Os seus ataques são os mesmos, causam efeito de tontura e perda de visão, a única diferença que as verdes são mais fortes. O chefe do segundo capítulo - Shial - é a rainha das aranhas. Taque fogo nela e seja feliz!
Mão: igual a mão da família Adams. Se grudar no seu pescoço, você já era. Ela faz um som característico inconfundível, quando você escutar, melhor ficar bem esperto.
Fantasmas: sua aparência é igual a da figura da morte, sua característica mais marcante são os berros histéricos quando ele se aproxima. Para enfrentar, deixa ele chegar perto e meta bala quando ele for atacar, mole de matar.
Cachorros infernais: são cachorros que lançam fogo da boca. Tem a versão menor, chato pacas de matar, e o Cérberus, pior ainda que tem duas cabeças e bem mais difícil, esse é o chefe do terceiro episódio.
Bestas do mar: vem em duas formas, sendo uma de um peixe morto vivo meio podre e outro que realmente dá medo de enfrentar, que é a besta de brânquias.
Tchernobog: é o último chefe. É um demônio todo podre, nada de especial além de precisar levar muito tiro para morrer.
Agora que todo mundo conheceu/relembrou das armas e monstros, posso falar mais sobre o jogo. O que chama atenção nele, é a ambientação. O clima lembra aqueles filmes de terror trash, a música de elevador e muitas vezes fúnebre só aumenta o clima de tensão. Além de que, Blood é um jogo muito divertido, se você quer ser sádico com os inimigos, ele te permite isso, e é muito legal explodir cultistas com dinamite e ver eles voando sangrando e gritando até virar uma bola de carne no chão, tacar fogo em zumbi e chutar as suas cabeças, atrair os caras para armadilhas com bombas remoto, tacar fogo neles com o spray e esperar ele sair voando pegando fogo.
É um jogo difícil, com poucos tiros você é morto, a munição é meio escassa e cada inimigo possui uma estratégia diferente para enfrentar, não sendo um jogo estilo força bruta total, requer uma jogabilidade um pouco mais refinada para ir passando pelas fases. Realmente, eu ficava muito nervoso as vezes jogando pois, ia jogar uma dinamite, errava, ela baita na parede e voltava e explodia! Quantas vezes usei errado o spray e me auto incinerei mas, por outro lado, é impagável ver muitas vezes o inimigos fazerem isso. Os cultistas atirando em você, porém a bala pega no zumbi e eles começam a lutar, aí ele vai jogar uma dinamite no zumbi e os dois se explodem, ou o cara taca a dinamite na parede e voa em pedaços. A jogabilidade é muito boa, rápida e divertida. É bem divertido o zumbi vir te dar uma machadada, e passar por baixo dele se agachando e atirando nele pelas costas, ou ver a cabeça dele pular quando ele leva um tiro bem aplicado da escopeta de 2 canos com o modo de tiro alternativo.
O mais bacana dele, são as referências a filmes e Blood está cheio disso: já no início da primeira fase, temos um túmulo escrito “Draven” em uma parte secreta, o qual é do filme “O CORVO “. Uma série um pouco menos conhecida como “FANTASMA” está no jogo, como o nome da funerária da primeira fase. “O ILUMINADO“ de Stanley Kubric está presente, em uma fase secreta chamada Overlooked Hotel, e em uma outra fase que você encontra o Jack Nicholson congelado, e Caleb fala “Hereeee is Johny“, se referindo ao personagem que morre congelado no labirinto vivo no filme. Estão presentes também a luva de Freddy Krugger e uma fase chamada Crystal Lake, do “Sexta Feira 13“. São inúmeras as citações, sendo que pelo menos uma, quem joga vai lembrar.
Uma coisa que chamou a atenção na época, foi a build engine utilizando voxels, que é uma técnica para modelagem 3D. As armas e alguns itens foram modelados assim, porém, os inimigos continuavam a ser 2D. Quem possuía na época uma placa aceleradora 3D Voodoo 1, podia baixar um patch para fazer o jogo rodar via GLIDE, que era a API proprietária, concorrente do DirectX da Microsoft. Funcionava meia boca, o gamma não regulava e ele ficava claro demais.
Blood é um jogo que dá saudades de um tempo que não volta mais, porém, ele está aí, e pode ser jogado nas máquinas novas e até mesmo no Windows 7, com emuladores de MS-DOS, e roda bem. Estou relembrando ele jogando em uma tela de 32 polegadas em widescreen em um receiver S3200 da Onkyo, sendo que a primeira vez que joguei ele, foi em um monitor de 14 polegadas, com uma caixa de som da Creative. O jogo requer mínimo um Pentium 90, 16 mega de memória RAM, placa de vídeo VGA, Placa de Som, DOS 4 ou 6.22.
Vale a pena mesmo relembrar ou quem não jogou, jogar e conferir as piadas de Caleb e a violência engraçada do jogo.
Saudosismo...
Era em 98 e eu tinha conseguido economizar meio ano de salário para comprar um PC, para poder jogar os FPS como Doom, Duke Nukem e o Blood. Foi esse tipo de jogo que me impulsionou a abandonar os video games, na época eu tinha um SATURN, e como não tinham jogos bons de FPS para ele, resolvi investir, mesmo porque também não tinha computador em casa. Eis que o dia chegou e peguei a máquina. Lembro que joguei a noite toda, nem dormi, só detonando dinamite a noite toda no Blood. Eu lembro de ficar imitando a fala dos cultistas toda vez que eles apareciam, xingava os cachorros infernais e ficava voltando saves para emboscar de maneira diferente os inimigos. Ficava horas procurando as passagens secretas no jogo, até que desistia e ia para frente. Eram tempos diferentes, a internet era discada, ruim e os lançamentos eram soltos via FTP, os quais você conseguia os endereços no MIRC. Não era fácil, e sim, tinham caras que ficavam a noite toda fazendo isso, e depois vendiam o jogo pros conhecidos, geralmente em coletâneas de CD. Eu já cheguei a pagar 35 reais por CD, com os lançamentos mais quentes da época. Hoje pode parecer ridículo, mas era outra época e outros tempos...
by Grimreaper
Prós:
- Jogabilidade rápida, precisa e divertida.
- Gráficos acima da média para jogos 2D.
- Fator de replay bem alto.
- Armas originais.
- Multiplayer extremamente divertido.
Contras:
- Alguns bugs de memória que faziam o jogo sair para o DOS direto.
- Jogo pesado. Alguns modos Super VGA dele necessitavam de uma placa de vídeo de 4mb no mínimo.
- Dificuldade exagerada nos modos acima da NORMAL.

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