
A história do PlayStation começa muito antes de seu lançamento, logo no início da década de 90 quando, em uma parceria entre a poderosa Nintendo e a Sony, pretendia-se criar um drive de CD que seria acoplado ao Super Nintendo, competindo assim com o lançamento do Sega CD, que vinha tendo relativo sucesso junto do Mega Drive. Essa pequena, muito especulativa e importante história pode ser lida em alguns detalhes no review do console de 3ª geração da Nintendo, já abordado pela CHUTNIGHTS.
Após o fracasso com a Nintendo, a Sony ficou em uma situação hoje vista como privilegiada, pois tinha em mãos um embrião maduro do que poderia ser um console em algum dia no futuro. Foi seu engenheiro Ken Kutaragi que convenceu a empresa a continuar o desenvolvimento e o lançamento daquele que viria a ser o primeiro console independente da Sony: o PlayStation.
Nintendo e Sega deram com os ombros, pouco preocupadas com a concorrência da Sony. Achavam que a empresa não teria grande sucesso por falta de experiência na fabricação de um videogame. Logo isso iria se mostrar um grande engano...
Em 3 de dezembro de 1994 é lançado no Japão o PlayStation. Além da mídia em CD para jogos, o console vinha com um pacote tecnológico de primeira para a época. Outra grande e bem vinda novidade do console era a introdução do Memory Card, acessório que salvava o jogo do ponto onde o jogador parou, dando assim uma nova direção tecnológica que viria por fim à substituir os antigos cartuchos que vinham com chip para salvar o progresso dentro do jogo. Sua inovação logo foi premiada dentro do Japão com nada menos que 1 milhão de unidades vendidas no primeiro ano do console no país.
Quando chegou aos Estados Unidos no dia 9 de setembro de 1995, o PlayStation já era um sucesso espalhado pela mídia mundo afora. No primeiro final de semana de vendas na América, o console alcançou o recorde de 100.000 unidades vendidas, cada uma por U$299,00. Apenas 20 dias depois, em 29 de setembro de 1995 começaram suas vendas na Europa e por fim, em 15 de novembro chegaria à Oceania, também com grande sucesso.
A estratégia da Sony com seu console se mostrou vencedora também na negociação com grandes produtoras que fariam seus games: Konami, Capcom, Namco, Eletronic Arts, Acclaim, Crystal Dynamics, Taito, SunSoft, Technosoft, Ubi Soft, entre tantas outras deram grandes jogos ao console. A parceira com a Square Soft seria em especial de grande valia para a Sony e traria títulos até hoje lembrados para o console como Final Fantasy VII.
Seus primeiros games lançados para o mercado japonês em 1994 teria como carro chefe o game Ridge Racer, em conversão do grande sucesso dos arcades e também o RPG King's Field. Em 1995 seriam lançados entre muitos outros, games com temas bem diversos e que teriam (alguns) sequências ou inspiraram jogos que duram até hoje, como Battle Arena Toshinden, Tekken, Philosoma, Goal Storm, Rayman, Wypeout, Destruction Derby, Twisted Metal, Street Fighter Alpha, Suikoden e Worms.
Com muitos games lançados pelo mundo e com a liderança absoluta como o console mais vendido da 5ª geração de videogames, a Sony resolveu no dia 7 de julho de 2000 lançar uma versão mais enxuta do console no Japão chamada PSOne, obviamente alavancado pela miniaturização de seus componentes e o avanço tecnológico, bem como a retirada da porta paralela e serial do console original, que permitia por exemplo a conexão de 2 consoles para jogos multiplayer com dois televisores. Sua fonte de energia também foi colocada externamente. O sucesso imediato do PSOne representa cerca de 27% do total de PlayStation vendidos no mundo inteiro.
Os acessórios do console foram poucos mas representativos. Além do já citado Memory Card, muitos exaltam seu joystick e sua evolução nas gerações posteriores como o melhores. O cabo de conexão entre dois consoles apesar de ter poucos jogos que possibilitavam essa diversão à mais, era interessante. Com o lançamento do PSOne a Sony lançou uma tela LCD para conexão acima do console, dispensando a TV, bem como o joystick renovado, chamado “Dual Shock”, que trazia duas alavancas analógicas que hoje são adaptados em igual ideia até em videogames da concorrência, bem como a funcionalidade de rumble, fazendo o joystick tremer em suas mãos em resposta a alguma ação no jogo.
No Brasil, o PlayStation e PSOne nunca chegaram oficialmente porém, foi encontrado em muitas locadoras e loja de games pelos quatro cantos do país com extrema facilidade. Creio que, além de não ser um mercado estratégico da Sony, o Brasil não foi agraciado com o PlayStation devido a extensa e massiva pirataria de seus jogos encontrados aos milhares até em camelôs e, claro, ao lançamento de gravadores de CD e de grupos que ripavam jogos e botavam online para a galera se arrebentar nos downloads em consoles acrescidos de modchips. Fenômeno este que se estendeu pelo mundo todo.
A data fim de fabricação do PlayStation foi em 23 de março de 2006. O número de vendas do console até março de 2005 ultrapassou 102 milhões de unidades do console no mundo inteiro. Nem tudo são rosas em sua história: muitos consoles, principalmente os iniciais tinham problemas graves de leitura dos CDs, tanto de games e suas animações como por exemplo de música que pulavam ou simplesmente travavam. Modelos com pequenas diferenças internas e de leitores de CD foram lançados buscando solução para este problema que era crônico, bem como melhorias que possibilitaram o lançamento do minúsculo PSOne.
O PlayStation, por fim, marcou a entrada definitiva dos consoles na era da mídia em disco, que possibilitam maior quantidade de dados à custos menores, em parte repassados aos consumidores. Suas inovações foram base para lançamentos melhorados da Sony como o PlayStation 2 e até por concorrentes que devem ter dissecado as partes desse pequeno mas ainda amado console em busca de ideias para videogames, não tenham dúvida! ;)

No início, o PlayStation era definitivamente o representante do mau no mundo dos videogames. Eu não queria nem saber do console! O negócio para mim era o 3DO e a promessa da Panasonic de um dia lançar o periférico M-2, que levaria o console ao que eu particularmente já considerava naquele momento: o videogame TOP do momento. :D Isso pode ser lido no review que fiz do 3DO, aqui na CHUTNIGHTS e perdurou como ideia por alguns meses até a venda do console e enfim, a entrega para a novidade do momento, o tal PlayStation que eu tanto odiava... xD
O ódio não perdurou, obviamente. Eu tinha que caminhar rumo ao futuro em games e, fora o Sega Saturn, o PlayStation era o outro expoente de bons games. Depois de muito namorar, fui até a Progames ali do Batel, aqui em Curitiba e paguei os ardidos R$750,00 para levar o console básico: controle e o game Ridge Racer. Logo faria muitas locações de games apesar de sempre recorrer ao Ridge Racer nos tempos de vacas magras. Isso fez com que com o tempo eu me tornasse um total craque no game, chegando às últimas corridas do game invicto, sem cometer erros e derrotando o temível “carro negro” sucessivas vezes. :D
O tempo passou e eu já tinha mais de 20 anos de idade. Trabalhar dava a independência parcial para alimentar minha vontade por games, seja por locação ou por compra. E foi assim que um dia dei meu passo inicial nessa empreitada, levando para casa um game completamente desconhecido, seja em revistas ou comentários dos amigos. Seu nome: Resident Evil. o_O
Amigo que era do Lantis, fui direto pra casa dele ver qual era a do jogo levando o console e o game novinho em folha. Sua caixa mostrava um cara amedrontado munido do que parecia ser uma escopeta em um lugar sinistro. Colocamos o game no console e só o fato de apertar o “start” no joystick dava aquele choque inicial de “RESIDENT.....EVIL....” sendo falado. O gelo era absoluto! A apresentação tinha o hoje muito conhecido vídeo do helicóptero em queda, aquele tiroteio inicial até a chegada na mansão, em pleno matagal. Tudo isso remetia ao clássico Alone In The Dark que havíamos jogado no PC. A cena inicial, o primeiro zumbi almoçando alguém numa das primeiras salas, aquele olhar sinistro com a cabeça girando para ver quem estava ali, marcou por muito tempo como uma das coisas mais doidas que tínhamos visto até então em games.
Logo, em pouco tempo investi em um segundo controle e outro lançamento disponibilizado: Tekken. A pancadaria estava feita no modo versus. :D Liberamos tudo o que era possível, vimos todos os finais...era o tempo de descascar os dedos nos poucos jogos disponíveis devido ao seu alto custo, em um videogame totalmente original.
Certo dia, saí para mais uma das locações que fazia para ficar por dias com alguns games e descobri que lá eles agora faziam uma liberação do console para games copiados em CDs. A proposta era tentadora mas dava cagaço: o console saía de Curitiba e viajava para São Paulo, onde era feita a gambiarra. Depois de muito relutar, resolvi investir os R$100,00 necessários. Uma semana depois, peguei o console e fui atrás de games. Quem é da época, deve lembrar: os games custavam entre 30 e 40 pilas cada um! :O Era uma grana que descia ralo abaixo rapidamente mas, aos poucos os preços foram baixando com a popularização do “esquema”. Depois, encontrei um cidadão que vendia games vindos diretamente via Paraguai por preços bem mais atraentes. Alguns, nem chegavam a rodar e achava que era problema do game, trocando várias vezes por outros. Foi quando percebi que era meu PlayStation que padecia de uma “doença” no seu leitor... :P
Chegou ao ponto finalmente de eu chegar na casa do cara e perceber que ele só jogava com o console virado ao contrário. :O Estranhei totalmente aquele esquema e ele me esclareceu que era devido ao leitor que falhava com games com tapa olho. :P Cheguei em casa e fiz o mesmo, não é que funcionou?!? :D A partir daquele dia, onde quer que fosse, meu PlayStation só rodava daquela maneira estranha. Nesse meio tempo também adquiri um cabo de conexão entre consoles e assim pude jogar em 4 players o jogo Andretti Racing, em disputas em 2 televisores que fizemos em algumas ocasiões com o desaparecido amigo Cássio (dono do outro PlayStation), eu, Lantis e o “Gaudêncio”, o conhecido BurnForce. O cabo mostrou-se ineficiente de um modo curioso em uma ocasião, jogando aquele famoso jogo de Fórmula 1, da Psygnosis: por um motivo que não conseguimos detectar e consertar, um dos carros corria mais que o outro, por mais que fossem iguais. A velocidade no marcador era a mesma, na prática, no visual, era outra! Total decepção! xP
Passou o tempo, e rapidamente os jogos passaram de uma centena! Inúmeras porcarias, algumas preciosidades muito bem jogadas, mas realmente muito jogos péssimos estavam ali no meio, aproveitando claramente a onda avassaladora que o console promoveu. Ao mesmo tempo, a novidade que chegava à minha casa buscando uma diversidade maior de games era o Nintendo 64. Por algum tempo tive os dois juntos e o PlayStation foi perdendo espaço para o concorrente, ao menos na minha casa. Vi que era hora de vender o console quando, em um certo dia, loquei 3 jogos por pura curiosidade, já cansado de pegar bombas e com nomes bizarros. Cheguei em casa, joguei um pouco um deles e passei o final de semana em total tédio, sem nem sequer ligar os outros jogos para ver como eram.
Resolvi por fim vender o console para quem me acompanhava na jogatina, o Lantis. Sei lá...devo ter dado mais de 20 jogos pra ele, nem recordo bem. :P O preço foi algo entre R$200,00...ou pouco mais que isso. Logo ele passou para um colega de trabalho o console e assim se foi esse console que tanto trouxe em alegrias como em decepções... até o total descaso. Só daria visão a alguns jogos de PlayStation novamente alguns anos depois, já em emuladores no PC e posteriormente, em sua retrocompatibilidade no PS2. Isso mostrou para mim que os bons tempos passam mas, podem sim retornar e bem, de um modo mais gratificante e por um período mais aproveitável de bons e inesquecíveis jogos dessa plataforma. :)
by Luo=-_

 |
 |
 |
| PlayStation |
PSOne |
PSOne com tela LCD '5 da Sony |

 |
 |
 |
| TEKKEN 3 |
FINAL FANTASY VII |
CASTLEVANIA: SYMPHONY OF THE NIGHT |
 |
 |
 |
| GRAN TURISMO |
RESIDENT EVIL |
CRASH BANDICOOT |

|