NINTENDO FAMILY COMPUTER (FAMICOM)

O Nintendo Family Computer, mais conhecido como Famicom, foi lançado em 15 de julho de 1983 pela Nintendo no Japão, com a ideia de vender um aparelho que desse continuidade ao sucesso dos arcades da empresa do começo daquela década, só que diretamente na casa dos japoneses. Inicialmente o projeto previa um videogame com processador de 16-bits e drive de disquetes para os jogos mas, isso estava muito alem do possível economicamente e tecnologicamente falando para a época. A Nintendo optou então por um sistema de 8-bits em que os games eram distribuídos em cartuchos, e uma aparência geral do aparelho com grande apelo infantil, parecendo muito com um brinquedo.

Inicialmente e talvez pela falta de experiência com algo de tamanha escala, a Nintendo amargou um grande recall de seus aparelhos quando os Famicom começaram a pifar na casa dos japoneses devido a um problema no projeto, o que fazia com que o chipset apresentasse defeitos graves. Com o problema resolvido, o console foi relançado com certa desconfiança do mercado, sendo até pouco aceito pelos lojistas japoneses.

Dentro de um grande prejuízo, a Nintendo lançou então nos arcades o game Mario Bros que foi um grande sucesso e ajudou a empresa a melhorar o caixa. Em seguida, lançaram o game Super Mario Bros para o Famicom o que provocou uma explosão de vendas tanto do game como do console, que assim se estabeleceria ao final de 1984 como o console mais vendido no Japão. Super Mario Bros acabaria por ser também o game mais vendido do sistema em todos os tempos, com 40 milhões de unidades, muitas delas entregues com o próprio console.

Com o sucesso do Famicom, a Nintendo tentou uma parceria com a Atari para lançamento do console nos Estados Unidos mas, a Atari não aceitou, alegando que faria ela mesma o lançamento de seu próprio console de 8-bits que estava sendo projetado. Apresentado então pela própria Nintendo na CES (Consumer Eletronics Show) de junho de 1985 com o nome de Nintendo Entertainment System, totalmente remodelado visualmente para o mercado americano e com outro conceito comercial, o console acabou por ter seu lançamento experimental em 18 de outubro de 1985, apenas em Nova York, com 50.000 unidades sendo vendidas rapidamente, dando confiança ao mercado, o que fez com que em fevereiro de 1986 ele estivesse à venda em todo o território americano. Já no mercado europeu, o console chegou com igual sucesso em setembro de 1986.

Em 1990 o NES dominava em volume de vendas o mundo dos games, superando as vendas de todos os outros consoles juntos mas, os tempos estavam mudando e com a chegada do Mega Drive, a Nintendo viu seu 8-bits ir perdendo o domínio do mercado. Os anos passaram e com a queda das vendas do console, a falta de novos lançamentos e com a chegada do Super Nintendo, a Nintendo americana parou de produzir o console em 1995. A Nintendo japonesa foi mais longe e produziu o Famicom até 2003 mas, o legado do NES estava marcado com ótimos games que lhe gerariam franquias consagradas como Mario, Zelda, Punch-Out! e Metroid. Muitas third parties iniciaram franquias de grande sucesso também no NES e que ainda o são como Castlevania, Contra, Final Fantasy e Mega Man. Devido a falta de proteção e até da quebra de sistemas de proteção, cartuchos de NES foram muito pirateados no mundo todo, sendo encontrados com certa facilidade até hoje em pequenas lojas, feiras e sites de leilões, muitas vezes em estado duvidoso. A emulação de seus games é muito difundida em todos os sistemas disponíveis e imagináveis, de celulares a videogames de última geração, fazendo com que os entusiastas dessa época tenham a oportunidade de reviver o passado com facilidade.

Oficialmente o NES foi lançado no Brasil apenas em 1993. Lamentável essa demora já que 4 anos antes o mercado brasileiro já contava com alguns clones do console sendo comercializados, como o Top Game VG-8000 fabricado pela CCE e o Dynavision II fabricado pela Dynacom que utilizavam o sistema japonês de 60 pinos, bem como o Phantom System fabricado pela Gradiente e o Bit System fabricado pela Dismac, que utilizavam o sistema de 72 pinos americano. Isso não era um problema para os gamers da época, já que adaptadores eram vendidos conforme necessidade. Outros clones foram reformulados posteriormente, apresentando até versões com dois slots de 60 e 72 pinos, dispensando os adaptadores. Aliás, o mercado brasileiro continua tendo muitas versões do NES em forma de clones com os mais diversos designs, principalmente em se falando do famigerado Polystation. Desde que foi descontinuado em 2003, o número oficial de NES vendidos no mundo foi contabilizado em 60 milhões. Claro que isso é hipotético mas, creio que, se contabilizadas também as vendas dos mais de 300 clones fabricados mundialmente do console, talvez tenhamos o NES como o videogame mais vendido em todos os tempos.

Era inacreditável!

Eu já tinha visto algumas pequenas matérias sobre os novos videogames que estouravam no exterior mas, vamos conversar: quem viu nas bancas e comprou a primeira revista “Videogame”, jamais esquece. :D 1990. Eu estava na rodoferroviária de Curitiba à caminho de Santa Catarina em uma visita de alguns dias a casa do meu irmão, quando vi o Mario na capa. Imediatamente comprei a revista e, pensando bem, antes não tivesse visitado meu irmão pois eu não queria nem saber dele. Eu não desgrudava da revista. Li e reli tudo umas trocentas vezes, revi cada foto....pirei!

Voltando a Curitiba, eu não tinha o menor esboço de ideia mas, o foco era o NES. Como consegui-lo, era um mistério. Aliás, nem vi o NES como ele é na versão americana, muito menos na japonesa mas sim, na forma do clone da Gradiente chamado Phantom System, que meu primo havia ganho. Paixão imediata, sem restrições...aliás, no meu caso havia...orçamentárias... :P

Acho que o Phantom System foi o clone mais bonito de um videogame que vi na vida. Com seu design “rampa negra”, seu colorido logo e seus controles ótimos, cópia simplificada, de qualidade inferior e descarada dos controles do Mega Drive, aquele era o aparelho do momento.

E não fiquei limitado ao meu primo. O Phantom System se espalhou entre os amigos “bonados” e o Luo=-_ estava lá para conferir também, apesar de eles terem apenas o Ghostbusters que vinha com o console, o que nos limitava completamente. Como eu era o mais velho da turma, fui até a Hobby Games do Água Verde, acompanhado de minha irmã como responsável pelo menor – eu – (lol!) e já de cara peguei pesado: Double Dragon II. No meio do caminho me despedi dela e corri como nunca, como um gamer viciado e ávido por novidades para a casa dos meus amigos que deliraram ao ver o cartucho!

E assim foi por muito tempo: eu locava e jogávamos em uma turma imensa o que pintava. Não demorou muito e por total compaixão de um parente, ganhei o meu Phantom System. Um dos primeiros atos: fui até a locadora e peguei o game Off-Road, este que estava entre os preferidos da galera. A ideia: conectar os dois Phantom System juntos pois tínhamos CERTEZA que daria para jogar de 4 jogadores o game, afinal, atrás da caixinha do original estava escrito 1-4 players. Cheguei lá, Off-Road alugado, meu amigo tinha o dele que comprou no Paraguai. Ligamos os cabos do jeito que deu, sem saber nada de questões técnicas de videogame, nem nada. Tentamos variações das mais diversas possível de cabos de áudio e vídeo, um ligado no outro, Em tomadas separadas, na mesma tomada...enfim... foi um fiasco só mas, não estávamos convencidos. Ligamos de Curitiba para São Paulo para a assistência técnica da Gradiente. Aquilo era um absurdo! Como que não vai funcionar! xD AheuAHEuhAE... Vocês podem não acreditar mas a anta do suporte da Gradiente confirmou que dava mesmo para fazer o que desejávamos e que precisaríamos fazer algo com algum cabo diferente do que tínhamos em mãos. Desistimos... hoje ao pensar sobre isso dou risada e vejo que as antas na real eramos nós, um bando delas. O conhecimento sobre multitap, passou longe...

Creio que fiquei com o Phantom System de 4 a 6 meses apenas. Muitas locações depois, um controle com direcionais um tanto quanto problemáticos, poucos jogos que eram meus e a fissura por algo melhor chegou... :P Até vi uma propaganda do Master System que me animou mas, a onda era a nova geração e chamava-se Mega Drive. Comprá-lo significaria vender o Phantom System, não havia opção mas, iria valer a pena e o tempo iria mostrar. ;)

by Luo=-_

FAMICOM NES PHANTOM SYSTEM

SUPER MARIO BROS. 3 NINJA GAIDEN 3 MEGAMAN 3
CASTLEVANIA 3 DOUBLE DRAGON 2 TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES 2

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