A história do Mega Drive teve início com o fracasso do Master System na década de 80 nos dois principais mercados de games, Japão e Estados Unidos, frente ao imbatível NES da Nintendo. Por mais que o console de 8-bits da Sega fizesse sucesso relativo na Europa e algum tempo depois no Brasil, não era o bastante e a Sega usaria de sua experiência para lançar algo totalmente novo e revolucionário.
Foi no quarto final da década de 80 que Hayao Nakayama, CEO da Sega, decidiu que a empresa deveria produzir um novo console diferente do que havia até então no mercado. Ele teria 16-bits em uma estrutura similar ao sistema System 16 dos arcades de grande sucesso da Sega à época, sendo as principais diferenças entre os dois uma maior velocidade de clock e qualidade superior no sistema de som a favor do System 16. Inicialmente ele teria o nome MK-1601 mas, a Sega resolveu chamá-lo simplesmente de Mega Drive em todos os mercados, exceto o americano que, por questões jurídicas (Mega Drive era marca registrada de um produto de outra empresa) foi batizado de Genesis.
Lançado em 29 de outubro de 1988 no Japão, o Mega Drive teve data de lançamento marcada nos Estados Unidos para 9 de janeiro de 1989. Inclusive, a Sega tentou entrar em parceria com a Atari para distribuição do console no mercado americano (assim como a Nintendo tentou o mesmo com seu Famicom) mas, não houve acordo entre as partes e a Sega resolveu fazer ela mesmo o trabalho. Devido a este fato, não conseguiu cumprir o prazo, fazendo com que o console tivesse o início de suas vendas apenas em 14 de agosto de 1989, em Nova York e Los Angeles, com o resto do país tendo a disponibilidade do console até o fim daquele ano.
Com mais de dois anos do lançamento no Japão, a Sega lançou o Mega Drive europeu no dia 30 de novembro de 1990. A Sega não liderava o mercado de videogames no continente com o Master System mas, tinha boas vendas e a aceitação de um novo e moderno console da mesma marca foi imediata. Devido também a esta demora, conversões de clássicos dos arcades como Altered Beast, Golden Axe e Ghouls 'n Ghosts estavam disponíveis no lançamento do console em sua versão europeia, dando a certeza clara de que o mesmo tinha grande potencial. O console chegaria também ao Brasil em 1990 através da Tec Toy, um ano depois da empresa ter introduzido o Master System no mercado brasileiro.
Mas não era o bastante. Competindo com o Famicom da Nintendo e o PC Engine da NEC no Japão, termômetro do mercado de videogames, o console não fazia grande sucesso, muito devido ao fato de apenas 400.000 unidades terem sido fabricadas no primeiro ano de lançamento. Tentando angariar novos consumidores, a Sega lançou serviços como Online Banking através de um acessório chamado Sega Mega Anser mas, não deu certo e o Mega Drive amargava um terceiro lugar na lista de consoles mais vendidos por lá.
Em 1991 um grande lançamento da Sega trouxe um personagem que é até hoje o mascote da empresa. Sonic The Hedgehog era diferente de tudo o que havia até então no mercado e, claramente, a Sega queria demonstrar o poder do Mega Drive com a velocidade de Sonic. Numa jogada que deu certo, a Sega através de um dos seus executivos americanos, Tom Kalinske, elaborou um plano para elevar as vendas frente a um mercado ameaçado pelo eminente lançamento do Super Nintendo: diminuir o preço do console, criar um grupo baseado nos Estados Unidos que produziria games especialmente para o mercado americano, continuar e expandir campanhas publicitárias agressivas e substituir o já batido Altered Beast pelo novíssimo Sonic The Hedgehog que assim viria já com o console. Kalinske chegou a ser chamado de "louco" pelos japoneses na reunião em que propôs essa ousada iniciativa mas, o tempo mostraria que o plano daria certo. Logo, o Super Nintendo chegou em um mercado já estabelecido e dominado pelo Mega Drive.
Em 1992 a Sega tinha 55% do mercado americano da nova geração contra 45% do Super Nintendo. Com um preço menor e uma grande vantagem em número de games disponíveis, a Sega manteria a supremacia na era dos 16-bits, cheganto até aos 65% de participação. Na Europa, o Mega Drive dominava completamente, vendendo mais do que todos os outros consoles juntos, inclusive anos depois com o lançamento do Sega Saturn. No Brasil, cerca de 75% do mercado era da Sega com o Master System e o Mega Drive vendidos pela Tec Toy. Ao final de 1992 foi lançado aquele que seria o game mais vendido da história do Mega Drive: Sonic The Hedgehog 2, com 6 milhões de cópias, cultuado até hoje por muitos (com justiça) como o melhor jogo já feito do mascote da Sega.
Além do lançamento do Mega Drive 2, versão mais compacta do primeiro e entre inúmeros acessórios lançados para o Mega Drive como pistolas (e até uma bazuca!), mouses para navegação em programas de online banking, adaptador para rodar cartuchos de Master System, o Activator que capturava os movimentos de chutes e socos em jogos de luta e até uma versão portátil com tela ruim e devoradora de pilhas chamada Nomad, destacam-se principalmente o Sega CD e o 32X mas, estes terão seus reviews e história contadas aqui na CHUTNIGHTS futuramente. ;)
No final de 1995, quando o Sega Saturn ainda liderava o mercado japonês de novos consoles frente ao Playstation que estava apenas começando, Hayao Nakayama resolveu acabar com a produção do Mega Drive no Japão. Isso era interessante para a empresa pois, definitivamente por lá, o Mega Drive não foi bem sucedido. Mas não parou por aí, e a estratégia de mercado acabaria por ser desastrosa em outro lugar, um verdadeiro tiro no próprio pé: o CEO da Sega resolveu também terminar com a produção do Mega Drive para o mercado norte-americano, um console que tinha muitos jogos disponíveis e um mercado ainda atraente frente aos novos videogames de 32-bits. Resultado: com poucos jogos nas lojas para a demanda necessária, o Saturn não teve como competir com a Nintendo que concentrava seu mercado no Super Nintendo. Resultado: a Nintendo teve um volume recorde de vendas do Super Nintendo e seus jogos. À Sega restou apenas detonar seus executivos norte-americanos e com o mercado em baixa, ver a renúncia em meados de 1996 do CEO da Sega of America, Tom Kalinske, justamente a pessoa que idealizou a campanha que alavancou o Mega Drive com Sonic acompanhando o console. Triste capítulo final de um grande videogame, maior sucesso da história da Sega com 29 milhões de unidades vendidas no mundo todo. Capítulo este que contribuiu também para no final das contas, o Super Nintendo ter vendido mais que o Mega Drive.
Em 1997 por fim, a Sega licenciou o Mega Drive à Majesco que voltou a produzir o console em sua segunda geração, vendendo cartuchos a preço praticamente de custo enquanto planejava ainda o Mega Drive 3 que seria lançado com um design "capô de carro". Nessa mesma época, a Sega deixou de dar suporte ao Mega Drive e ao Master System na Europa, deixando aberto o mercado para o Sega Saturn.
Desde então, apenas 3 jogos foram lançados para o Mega Drive e vendidos mundialmente: Beggar Prince em 2006 e Legend of Wukong em 2008, games estes que foram traduzidos de jogos originais chineses. Também em 2008, um grupo de entusiastas do console lançou o RPG Pier Solar and the Great Architects.
No mercado brasileiro, o Mega Drive ainda é produzido pela Tec Toy em uma versão sem slot de cartuchos e com 81 jogos na memória, visando o mercado popular. Mesmo com design completamente diferente até nos joysticks e querendo aparentar modernidade, creio ser mais interessante apenas para colecionadores ou pessoas que desejam ter um contato com esse ótimo sistema, sem grande compromisso com outros jogos ou conectividade de periféricos.
Além da emulação que é bem difundida em muitos videogames e até em celulares, o Mega Drive ainda é representado em versões pocket de origem duvidosa, bem como alguns clones pelo mundo que, em geral, não trazem suporte a periféricos como Sega CD e 32X e, portanto, aos que tem desejo de ainda adquirir um Mega Drive, vale a dica de comprar um original ou um Mega Drive 2 para não acabar caindo feio do cavalo.
Agora em 2009, a Tec Toy dando continuidade no mercado do Mega Drive no Brasil, lançou uma nova versão do console que denominou "Mega Drive 4", mais uma versão do console sem slot de cartucho, com 87 jogos na memória, 2 joysticks parecidos com os originais e uma guitarra para o jogo "Guitar Idol", jogo provavelmente feito pela própria Tec Toy, similar 16-bits do conhecido Guitar Hero. O console apresenta um desing melhorado em relação a versão anterior mas, infelizmente, mais uma versão sem o slot para colocar cartuchos muito menos compatibilidade com 32X ou Sega CD... :(

A primeira vez que li algo a respeito de Mega Drive foi em 1990. Revistas de videogame da época no Brasil estavam começando a chegar, mas vi alguns artigos na antiga revista “A Semana Em Ação” que veio a ser depois a conhecida “Ação Games”, e mostravam as imagens de um impressionante Altered Beast “igual” ao do fliperama, que fazia com que a mente voasse muito longe. O que um adolescente de seus 15 anos poderia fazer para ter aquele console, eu nem imaginava. Eu só sei que eu queria e não podia tê-lo.
Foi um tempo depois disso que ganhei a muito custo um Phantom System, clone brasileiro feito pela Gradiente do Nes. Fiquei alguns meses com ele, aluguei muitos jogos e me diverti mas, sempre a sombra do Mega Drive batia na mente do pequeno Luo=-_...
Em uma jogada de sorte, consegui vendê-lo para o meu chefe de um bico que eu fazia na época, trabalhando na campanha do Collor (LOL!). Juntei uma grana nesse bico, e guardei tudo na poupança para não desvalorizar. Os tempos no Brasil eram de inflação a 2000% ao ano e de um mês para outro o que você guardava no bolso não valia nada! :P Trocando em miúdos: meu chefe pagou boa parte e o Collor o restante para eu comprar o Mega Drive. xD
Juntei a grana e com alguma ajuda, troquei por dólares: pronto! Que se dane a grana da época no Brasil...eu tenho é dólar rapá e esse não desvaloriza! A sorte bateu novamente à minha porta: minha madrinha viajaria ao Paraguai e seria a grande chance de eu comprar o que na época era uma lenda desconhecida da maioria: o Mega Drive.
Sábado. Ansiedade...eram apenas 2 ou 3 dias de espera...mas eu já comia, bebia e dormia só pensando no Mega Drive. Não resisti: um dia antes dele chegar e aproveitando que a locadora não abria aos domingos, fui até a Hobby Games que tinha ali no Alto da Glória, fiz minha ficha e comecei a namorar os games à disposição para locação. Olhei 200 traseiras de caixinhas originais, devorei aquilo por algumas horas e decidi que o game locado seria o tal Shadow Dancer. Peguei a versão japonesa, única disponível.
Sábado a noite. Eu já subia pelas paredes de vontade de jogar. Domingo, ainda teria que esperar a noite chegar. Será que ela encontrou o que eu queria? Pootz...e se não desse certo? :P As dúvidas surgiam o tempo todo e a ansiedade deveria estar me dando azia!
CHEGARAM! :O Vou lá, ajudo a tirar as malas do carro. Muitos brinquedos para meus primos, aquela coisarada toda, perfume, whisky, mas eu não via o Mega Drive! Nisso minha madrinha fala: “Tá aqui...” :D Peguei uma daquelas sacolonas de muambeiro do Paraguai, coloridas em faixas verticais e uma caixa dentro... abri a sacola e puxei a caixa quadriculada do Mega Drive japonês. Meu coração quase saiu pra fora mas fiquei em silêncio. Abri a caixa com cuidado extremo e fui puxando o isopor com tudo dentro pra fora e ao olhar aquele 16-bit dourado, tão desejado por tanto tempo me deu uma das maiores sensações de gelo na boca do estômago que já tive na vida. Emoção pura...eu tinha que jogar naquele instante.
Arranjei tudo em volta da TV, a caixa serviria de apoio para o console não ficar no chão. Liguei os cabos de áudio e vídeo e tudo o que tinha direito. Botei o Shadow Dancer e aquilo era MUITO MAIS do que eu imaginava só em fotos de revistas. Meus primos ainda pequenos, urravam vendo aquele ninja e seu cachorro destruindo os vários inimigos que pipocavam na tela. Joguei por horas naquele dia, a ponto de me mandarem dormir de uma vez. :D Foi só o começo...
Logo loquei o segundo game, um schmup chamado Dangerous Seed, também japonês. Me diverti mas, ficava limitado a jogar apenas os games japoneses. Voltei para casa, fui até uma locadora com um amigo e encontrei por lá uma pessoa que não era lá um amigo muito próximo mas, era um vizinho e dividia da mesma diversão com videogames. Era o Marcelo, o conhecido Lantis do Seganet. Tentamos esconder a porcaria da ficha que carregávamos na mão para o piá não torrar o saco querendo jogar também mas, era óbvio. O que dois caras estariam fazendo na parte de Mega Drive, tão entusiasmados, se não fosse pra locar algo e jogar? Prensei o pequeno Lantis na parede e fiz ele prometer que não falaria à ninguém que eu tinha um Mega Drive. HauehAUeh! :D Pela idade dele na época, não demoraria a dar com a língua nos dentes mas, tudo bem...o guri era gente fina.
Logo, ele mesmo me ajudaria em suas habilidades com chave de fenda a abrir o Mega Drive e tirar a trava mecânica que os japoneses colocavam no console para não rodar games americanos e assim, tive uma gama gigante de novos games para explorar. :)
Joguei muita coisa, muita mesmo. Até que um dia ganhei um lançamento mundial que poucos em Curitiba deveriam ter: Pit Fighter. A febre por esse jogo era tanta, que depois de muito jogar, cheguei a emprestá-lo para uma playgame ali no Água Verde. Em troca, eu teria alguns jogos de Mega Drive à disposição por tempo determinado. Devolvia, e pegava outros. O Pit Fighter era uma máquina de dinheiro na mão do cara que explorava a piazada do bairro em embates intermináveis.
Isso durou alguns meses, até o cara comprar um Pit Fighter para ele. Joguei mais um tempo e passei por Sonic, Streets of Rage, cheguei a jogar King Colossus, um RPG japonês muito bom quase até o final...até que um dia, um anúncio na TV me chamou a atenção: o Globo Repórter falaria naquela semana sobre videogames! :P Empolgação total afinal, Super Nes era algo que não tinha visto ainda e com certeza mostrariam! Chegou o dia e ao mostrarem Super Mario World e F-Zero, a impressão inicial que tive era de que o meu Mega Drive estaria próximo do obsoleto... :P
Cheguei a ver ao vivo um tempo depois um Super Nes japonês (o mais bonito EVER!) de um cara que queria vendê-lo na locadora onde eu sempre estava. Na minha cabeça e na fissura, pensei em oferecer meu Mega Drive e mais um monte de quinquilharias na esperança de que o cara aceitasse mas, com medo de cair no ridículo, recuei...
Um dia, o Mega Drive se foi em um anúncio do Alô Negócios. Sem caixa, com poucos jogos, empoeirado, dei adeus a um dos consoles que mais gostei na vida. O objetivo era claro: subir na escala de videogames, ter o que há de melhor e o Super Nes era o melhor ao menos na minha mente e acabei por comprá-lo mas, contarei isso no review dele. Quem dera eu tivesse na mente a ideia que tenho hoje com o Mega Drive em uma posição superior ao do Super Nes...
Mas o Mega Drive não acabou por completo. Muitos e muitos anos depois, por total compulsão e oportunidade adquiri o que me parecia impossível: um Sega CD-X, a combinação perfeita entre Mega Drive e Sega CD, mas isso, será contada em um próximo capítulo... ;)
by Luo=-_

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| Mega Drive |
Mega Drive 2 |
Mega Drive 3 (Majesco) |
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| Mega Drive 3 Tec Toy (81 jogos) |
Mega Drive 4 Tec Toy (87 jogos) |
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| SONIC 2 |
PHANTASY STAR 4 |
RANGER X |
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| STREETS OF RAGE 2 |
CASTLEVANIA BLOODLINES |
GUNSTAR HEROES |

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