
Projeto ultra secreto da Sega do Japão, o Mega CD foi um dos mais bem guardados segredos da empresa e seus desenvolvedores de games até sua primeira aparição na Tokyo Toy Show, em 1991. Concebido para competir com o mercado de games em CD ocupado pelo PC Engine (ou Turbo Grafx 16 nos Estados Unidos), o Mega CD é um periférico do console Mega Drive e possibilita devido a sua mídia em CD-Rom, jogos maiores e de maior qualidade que os tradicionais cartuchos.
Lançado em 12 de dezembro de 1991 no Japão, ele vinha em um modelo que ficava embaixo do Mega Drive e tinha uma baia de CD motorizada, sendo ainda hoje uma versão bonita e muito procurada por colecionadores. Procurando mostrar o que havia de mais poderoso no console, a Sega focou inicialmente em jogos FMV que continham muitos vídeos, ao invés de procurar fazer games que aproveitassem justamente o espaço disponível que um CD-Rom proporcionava. Porém o console tinha uma paleta limitada em 512 cores e seu processador não havia sido construído para mostrar vídeos, resultando em vídeos muito “granulados”, chegando a ser de baixa qualidade.
Outro alvo de críticas ao novo sistema, foi o fato de as produtoras de games terem adaptado jogos já existentes em versões pouco melhoradas para o Mega CD, com músicas e sequencias de vídeo e animação como extras. Aliado ao fato de o Mega Drive nunca ter sido considerado um console de grande sucesso no Japão, apenas 380 mil unidades do Mega CD foram compradas pelos japoneses até março de 1994, o que representava 11% dos consumidores de Mega Drive no país.
O Mega CD foi lançado posteriormente em outros mercados. Com o nome modificado para Sega CD, o periférico foi apresentado ao público americano na Chicago Cosumer Electronic Show, em janeiro de 1992 e lançado em 15 de outubro daquele ano. Na Europa ele chegou em abril de 1993 onde 60 mil das 70 mil unidades enviadas para venda no continente foram vendidas até agosto do mesmo ano, muito devido ao sucesso do Mega Drive. O Brasil acabou por nem receber unidades do Mega CD, com a Tec Toy lançando o periférico em sua segunda versão, o Sega CD-2, exatamente quando os Estados Unidos já recebiam também esta nova versão.
Aliás, muitas versões diferentes do console foram lançadas...
Iniciando uma tradição de melhoria e miniaturização que perdura até hoje nos consoles atuais, o Mega CD foi modificado e lançado como Mega CD-2 sendo menor, com design parecido com o do Mega Drive 2 e sem a baia motorizada para CDs que foi substituída por uma abertura mecânica. Obviamente que os custos caíram tanto para o fabricante quanto para o consumidor final.
A JVC/Victor licenciou e criou uma versão do Mega CD chamada JVC Wondermega que combinava o Mega Drive e Mega CD em um único produto, que possibilitava até karaokê e possuía uma baia de CD motorizada. Posteriormente um novo modelo foi lançado pela JVC com o mesmo nome Wondermega porém com design diferente, baia de CD mecânica e que tinha funções para joysticks sem fio embutidas. Essa mesma versão chegou aos Estados Unidos com o nome X'Eye. Ambos são produtos muito bem construídos e alvo de colecionadores pelo mundo.
A Sega lançou também sua versão de Mega Drive e Mega CD unidos em um único hardware com o nome de Sega Multimega, ou CD-X nos Estados Unidos. Pequeno e muito interessante, esse console lembra muito um CD player um pouco mais alto e comprido, possuindo baia mecânica para os CDs. Sem dúvida a menor versão lançada dos dois consoles em conjunto.
A Pioneer também lançou um módulo do Mega CD para seu sistema LaserActive, que foi um console criado pela empresa em 1993. Esse sistema teve vida curta apesar de ser interessante pois, além dos Laserdiscs próprios que ele usava para games, separadamente eram vendidos módulos que possibilitava rodar games de Mega CD e outro que permitia rodar games de Turbo Grafx 16 tanto em CD quanto seus hu-cards.
A mistura inegavelmente mais maluca foi de um microsystem da Aiwa com um Mega CD chamado Aiwa CSD-G1M, mais conhecido como Aiwa Mega CD. Basicamente era um rádio com CD que rodava games de Mega CD, possuía slot para cartuchos de Mega Drive na parte frontal e tinha entradas para joystick do console. Talvez seja o produto ligado ao Mega Drive / Mega CD mais difícil de se encontrar hoje em dia pelo mundo, devido a ter sua venda restrita ao mercado japonês e com produção reduzida.
Alguns acessórios foram lançados para o Mega CD. Um dos mais legais foi um cartucho chamado CD Backup Ram Cart. Utilizado no slot de cartuchos do Mega Drive, que funciona como um memory card de games de Mega CD, tendo 16x a capacidade de salvar que o Mega CD possui! Uma mão na roda! :) Uma pistola chamada “The Justifier” foi lançada especialmente para o game Lethal Enforces do console. Em 2006 um cartucho chamado Megacart foi lançado para o sistema e é multi-função, com conversor de região, RAM para savegames e ao que parece (pesquisarei e confirmo posteriormente) salva games de Mega Drive em formato de roms.
Hoje em dia a emulação de Mega CD é fácil em diversos sistemas e normalmente acompanham a emulação do Mega Drive bem como do 32X. Seus games limitam-se a ter travas regionais que, pelo que sei, são contornáveis. Por outro lado, jogos de Mega CD são encontrados facilmente e por preços muito bons em sites de leilões, muitos completos e até lacrados, dando uma chance a quem deseja ir fundo na jogatina desse sistema e aproveitá-los ao máximo. :)

Muito antes do bluray e quase uma década antes do DVD, os videogames mudaram dos tradicionais cartuchos para o CD. A novidade significaria muito para os gamers do início da década de 90 pois, terminava ali um dos referenciais para muitos da “superioridade” de um determinado videogame sobre outro concorrente, que era a quantidade de megas que determinado cartucho tinha e que o outro videogame não tinha em seus jogos. Super Nintendo e Mega Drive tinham games cada vez maiores enquanto o elitista Neo Geo mostrava claramente esta tendência, com a inscrição “Max 330 Mega” ou posteriormente o “Giga Power” na tela de boot de seus games. O Mega CD chegou e botou banca, colocando seus 640 megas disponíveis para os dados dos games, fossem músicas de qualidade ou gráficos. Nem importava mais o cara saber quanto era o tamanho do game! Pelo menos na minha cabeça, a ideia principal era curtir a novidade.
Mas, eu não tinha mais meu Mega Drive e, portanto, muito menos o Mega CD. Eu estava nos meus pouco inspirados tempos de Super Nintendo e logo depois, sem videogame algum então, eu só poderia recorrer àquele que sempre foi fiel gamer do 16-bits da Sega: meu amigo Lantis. Logo estávamos curtindo as novidades que o sistema proporcionava, entre elas, games interativos com pequenos filmes como Sewer Shark ou Night Trap, a pancadaria e os fatalities escondidos de Eternal Champion, os ótimos schmups Sylpheed que só tínhamos visto em fotos e Sol Feace, os RPGs Popful Mail e Shining Force CD...
E o que falar do adventure cyberpunk Snatcher, espetacular trama sem censura de Hideo Kojima, que prendia pela tensão absoluta de sua história? Na primeira vez que vimos o jogo, jogávamos ele alternado, uma hora um jogando, outro prestando a atenção na história que era e até hoje uma das grandes realizações em se falando de games em todos os tempos na minha opinião. Obviamente que eu não poderia estar o tempo todo ali na casa dele jogando então, o Lantis terminou o jogo me contando tudo o que aconteceria e mostrando-me novamente o final que era muito bom. Esse game é um daqueles que merecia uma versão renovada para a geração atual de videogames ou até mesmo – porque não – uma continuação.
Meus dias sem Mega CD seriam muito longos e pelo mesmo motivo de sempre: eu não tinha interesse no que era velho e investia no que era novo o pouco dinheiro que tinha. Isso iria mudar muitos anos depois, já com o advento da Internet, site de leilões e claro, eu trabalhando e não tendo muito com o que gastar. E foi assim que um dia eu encontrei um aparelho que eu só tinha visto em revistas e em fotos de site e JAMAIS imaginava tê-lo, pois sempre custavam caríssimos e exagerados R$400,00 para cima: um Sega CD-X!
Recebi bem entusiasmado o console, ficando surpreso com o tamanho relativamente pequeno dele, bem menor do que eu pensava. Parecia inacreditável que o pessoal da Sega conseguiu fazer algo de tamanha qualidade, juntando o Mega Drive e Mega CD em um único produto, pouco maior que um discman antigo. Testei-o com alguns poucos jogos que vieram junto e aproveitei bem o que tinha deixado passar por obra do destino mas, chegado um dia, eu infelizmente tive que me desfazer dele. Uma mini-crise financeira bateu na minha porta e o que eu tinha em mãos de valor eu passei para frente, como o Sega CD-X, o meu 3DO FZ-10 com pistola e uma placa de vídeo Sapphire GeForce 9800 das antigas, no tempo que ela era boa. Uma catástrofe! :P
O CD-X ao menos ficou em ótimas mãos. Anunciado no Seganet, acabei vendendo-o ao Road Warrior que o tem bem cuidado até hoje. Curioso o fato de que no ato da entrega ele percebeu uma coisa que tinha me passado despercebido durante o tempo que ele ficou comigo: a fonte externa do console era se não me engano de um Super Nintendo! :D Creio que funcionou beleza e nunca trouxe problemas pois o novo dono nunca reclamou... ;)
O tempo passou e a sensação de “perda” foi muito grande tanto em se falando do 3DO, quanto do CD-X. Mas as coisas nunca foram fáceis e eu demoraria ainda um tempo para começar a levantar verba através de trocas que geravam vendas ou até vendas diretas de coisas que eu não usava para tentar readquirir o que havia perdido. E o primeiro que comprei novamente foi justamente outro CD-X, que até hoje é um dos consoles que mais gosto de tudo o que tenho. Aproveitei pouco ainda o console diante do potencial que ele tem pois, compromissos importantes da vida pessoal começaram a se agilizar por um grande período que estava por vir. Ao menos, consegui ainda um addon que, dizia a lenda, NUNCA funcionaria em um CD-X por superaquecimento dos dois sistemas juntos: um Sega 32X! Mas, essa é uma história que contarei em breve, em outro review... ;)
by Luo=-_

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| MEGA CD |
MEGA CD 2 |
SEGA CD-X |
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| JVC WONDERMEGA |
JVC WONDERMEGA 2 |
PIONEER LASERACTIVE CLD-A100 |
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| AIWA MEGA CD |
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| SONIC CD |
SNATCHER |
BATMAN RETURNS |
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| LUNAR ETERNAL BLUE |
POPFUL MAIL |
SOL FEACE |

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