GAMECUBE

Sucessor do Nintendo 64, o GameCube era a tentativa da Nintendo de novamente reaver o posto de número 1 no mercado de videogames mundial, posto este que havia perdido na geração anterior com derrota esmagadora frente ao PlayStation, da Sony. Anunciado na E3 de 1999 com o codinome Dolphin, o console deu as caras pela primeira vez durante a Nintendo Space World de agosto de 2000, no Japão. Lá o mundo pode conhecer alguns de seus jogos iniciais, o nome definitivo Nintendo GameCube e acessórios.

Talvez o fator mais importante de tal lançamento, foi o público ter a boa notícia de que a Nintendo caiu na real e abandonou a ideia de fazer mais um console com seus games baseados em cartuchos. Mas fez diferente, pois ele utilizava mini DVDs como mídia, tendo um apelo estético diferente da concorrência e com um aspecto que demonstrou depois ser determinante: não havia como ouvir CDs simples de música ou fazer leitura de um simples filme em DVD como os concorrentes PlayStation 2 e Xbox, devido ao tamanho da baia do console, especialmente feita para o mini DVD e cabiam apenas 1.5 gigas de dados dentro de tais discos.

Lançado finalmente em 14 de setembro de 2001 no Japão, de cara não obteve muito sucesso com seus três jogos iniciais disponibilizados: Wave Race: Blue Storm, Luigi's Mansion e Super Monkey Ball. E não era por que vinha com um visual esquisito e cores que variavam entre preto, índigo (roxo) e prata. O motivo tinha um nome de peso: PlayStation 2. Fazia um ano e meio que o videogame da Sony corria solto, vencendo a largos passos a corrida pela 6ª geração enquanto a Nintendo estava apenas começando! Outro fator que influenciou negativamente, foi o fato de o GameCube ter sido lançado apenas três dias após o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York. Imaginem! Enquanto o mundo tentava compreender em estado de choque o que parecia inacreditável, o simpático “fogãozinho” da Nintendo chegava às lojas. No mercado americano ele chegou com maior sucesso em 18 de novembro do mesmo ano, levando ainda mais seis meses para dar as caras na Europa, no dia 3 de maio de 2002.

Logo as coisas melhoraram para a Nintendo, com 1 milhão de unidades vendidas no Japão ainda em 2001, a partir do lançamento do jogo que mais vendeu para o console, Super Smash Bros. Melee, além do game Pikmin. A Nintendo foi esperta e conseguiu algumas exclusividades tentando tirar a impressão de um console que, além do aspecto, tinha jogos ditos infantis. Para isso, conseguiu trazer a série de terror Resident Evil exclusiva para o console e com gráficos renovados. Outros jogos que ajudaram bastante o console foram seus exclusivos, como Mario Sunshine, The Legend of Zelda: Wind Waker e em dois jogos Metroid Prime, que garantiram o delírio de inúmeros jogadores pelo mundo. Outros destaques ao longo de sua jornada foram para o RPG Baten Kaitos e a revisão feita no clássico game Metal Gear Solid: Twin Snakes.

O GameCube no quesito jogos, foi um divisor de águas para a Nintendo em certos aspectos, porém, em outros a sombra da super proteção antiga da Nintendo falou mais alto. Ao mesmo tempo que ela deu apoio e liberdade inédita no desenvolvimento e distribuição de jogos maduros para o console, viu essas mesmas produtoras largando o console sem pai nem mãe, em favor da concorrência com o PS2 e Xbox que vendiam melhor. O apelo infantil que parecia reinar em volta do GameCube falou contra ele. Junte à isso a limitação de dados em um mini DVD e você tem uma ideia que fracassou no concebimento. Isso é comprovado claramente hoje em dia, com o Nintendo Wii rodando seus games em DVDs normais. A Panasonic licenciou uma versão especial do GameCube chamada Panasonic Q, com um visual cromado nervoso e com um diferencial que todas os GameCube deveriam ter de fábrica: rodar filmes em DVD. Uma tentativa de consertar o que a própria Nintendo não fez, ou só um produto para usuários exigentes? Coube ao consumidor julgar... :P

Outro aspecto que não foi bem utilizado do GameCube foi o uso da capacidade do console para jogatina online...lançar um adaptador broadband e ter apenas 4 jogos compatíveis – sendo 3 deles da série Phantasy Star – vamos conversar que é ínfimo para quem quer ganhar um mercado que à época só crescia...

Mas o GameCube não é só coisa ruim, meu povo! :D Um dos diferenciais do GameCube foi a pequena mas interessante junção que a Nintendo fez com o GameBoy Advance. Alguns de seus jogos tinham extras liberados exclusivamente através da conexão das duas plataformas. Foi uma clara tentativa de obter algum sucesso para um console de mesa que tinha pequeno apelo frente a concorrência, utilizando-se de um sucesso absoluto que era até então o portátil da Nintendo. Como poucos jogos traziam essa funcionalidade, não causou grande impacto, tampouco empolgação mas, ERA legal. Outra junção entre GameCube e Gameboy Advance foi com o acessório Gameboy Player, que era acoplado embaixo do GameCube e permitia que jogos do Gameboy, Gameboy Color e Gameboy Advance fossem jogados diretamente em um televisor.

Analisando friamente, o GameCube não é e nem nunca será um console para se jogar fora. :) O esforço em tentar ser a melhor, fez com que a Nintendo se esforçasse até para criar um joystick em que as pessoas se adequassem rapidamente. Seus botões de ação bem posicionados, gatilhos confortáveis, duas alavancas analógicas, sem contar a função rumble formavam um pacote interessante para seus jogos. Para aqueles que gostavam de jogar com maior liberdade, a Nintendo criou também o Wavebird, que era um controle sem fio muito bom, como os da atual geração de videogames. Pena que para economizar a energia das duas pilhas AA que ele pedia, a função rumble foi retirada.

Assim como seu principal concorrente, a versão de Resident Evil 4 (que inclusive era bem mais completa que a de PS2) ganhou um joystick em forma de motosserra. Entre outros acessórios, destaca-se os simples mas funcionais memory cards oficiais que tinham tamanhos de 59, 251 e 1019 blocos. Outras companhias lançaram cartões ainda maiores mas, há casos de dados corrompidos de saves de jogos. Para quem busca uma conexão vídeo componente para o console, é bom pesquisar bem pois nos modelos mais novos do console essa opção foi retirada, evidenciando uma redução de custos de produção. Para completar, bongôs foram lançados para jogar games da série Donkey Konga, microfone para jogos de karaokê e em Mario Party 6 e 7, adaptador de cartões SD para troca de informações com um PC (e que hoje em dia vem sendo utilizado como leitor de ISOS), tapete de dança e até um teclado completo que, em suas extremidades, tinha os controles normais de Game Cube, sendo usado principalmente pelos gamers que se empolgaram em jogar Phantasy Star Online.

No Brasil o GameCube foi distribuído pela Gradiente em setembro de 2002, exatamente um ano depois do lançamento no Japão. O console foi localizado, tendo seus menus em português, sendo um atrativo interessante para a época mas, infelizmente, o que era bom durou pouco. O preço exagerado de R$1.199,00 no lançamento era assustador para os consumidores brasileiros e o console não emplacou em nosso país que estava já invadido pela onda do PlayStation 2. Em 2003 a Gradiente pulou fora do barco e o console acabou vindo para o Brasil apenas através de importadores...uma pena. :(

Tantos aspectos diferenciados que a Nintendo viu como ótimos, o consumidor viu por outro ângulo ou simplesmente ignorou. Isso fica óbvio diante da massiva diferença de vendas mundialmente do console frente ao PlayStation 2. O GameCube vendeu próximo de 22 milhões de unidades. Já o PlayStation 2 vendeu seis vezes e meia à mais, quase 145 milhões de unidades e continua até hoje sendo vendido. Em comparação com o Xbox, o GameCube também perdeu, porém, a diferença mundial foi de cerca de 3 milhões de unidades, vencendo o console da Microsoft no mercado japonês e europeu mas, perdendo nos Estados Unidos.

E assim, acabou-se o GameCube, descontinuado em 2007. A Nintendo tirou da experiência com esse console lições para tentar fazer o melhor na geração seguinte com o Wii, sem deixar de esquecer seu passado: os games de GameCube rodam no console da atual geração, bastando ter um joystick e um memory card do sistema. O novo, com o velho! Boa combinação. ;)

GameCube era carta fora do baralho. Eu queria era um Xbox!

Mas as coisas nem sempre funcionam como a gente deseja, não é meus amigos?! Por mais que eu trabalhasse, a grana era curta pois eu era mal remunerado. :P Economia só com muito esforço e beirava o impossível. Diante de um relacionamento amoroso que, obviamente, requer gastos extras e tinha maior importância que qualquer videogame, fui deixando de lado, ou ao menos em segundo plano minhas ambições para jogos.

Porém, não demorou muito. :) Com um melhor posicionamento salarial, consegui fazer umas economias e pensei em unir o útil, ao agradável: guardei uma boa grana nos últimos meses do ano de 2002 visando dar um bom presente para minha namorada e me auto presentear com algo relacionado a games... ainda eu não sabia ao certo o que eu pegaria mas, Xbox era o alvo! ;)

Pensando em realizar tudo isso, no inicio de 2003 entrei na furada de ir numa daquelas super liquidações de eletrodomésticos do início do ano. Sacam aqueles saldões de produtos com pequenos defeitos, ou que não tem caixa, nem manual...produtos muitas vezes de mostruário...pois é! Lá fui eu em plena meia noite entrar numa fila que já tinha umas 200 pessoas para a tal loja, que não vou citar o nome mas, era e ainda é bem popular. xD Chegando lá, num frio desgraçado, o videogame estava em segundo plano pois eu queria dar uma televisão pra namorada... :D ...mas, não saia da mente! Não tive como esconder a surpresa, pois ela me ligou no celular meia hora depois querendo saber porque não havia chego em casa. Depois de muito enrolar, tive que falar a verdade e acabou que fui agraciado com a ajuda do meu sogro que veio até a loja só para me entregar um banquinho, uma jaqueta para vencer o frio e um guarda chuva...sim, chovia na fila. Nenhuma tensão na madrugada varada além de uns pequenos fecha paus e correria entre alguns malóks curitibanos...

Assim que entrei na loja, abandonei o banquinho e fui SECO ver se havia algum GameCube pois, Xbox não havia como eu pagar e nem tinha na loja...mas não era uma manhã de sorte pois não havia nada por lá. Deixei pra lá e, depois de muito escolher, peguei uma TV '20 e um suporte para a parede, indo embora já com o sol nascendo no horizonte. No caminho para pegar um táxi, ia carregando aquela caixa bisonhamente grande para ter uma TV '20 dentro a ponto de me arder as costas. Nessa hora começou a garoar forte e, para minha total surpresa, eu tinha perdido o guarda chuva do meu sogro... :D Tudo bem, vamos lá...com calma. Andei por duas quadras e cheguei até o ponto de táxi onde percebi que haviam outras lojas aproveitando a onda de promoção dessa que fui...eram umas 7:20 da manhã mais ou menos.

Entrei, deixando minha caixa com a TV e outra com o suporte com um vendedor, fui ver se achava “algo”. E não é que achei? :D Havia GameCube ali...e apenas um! Dei uma de “Senhor da Pexinxa” e enchi o saco do vendedor até ele chegar ao preço de R$840,00 pelo console pelado, só com um joystick e nenhum jogo. Versão brazuka, by Gradiente...preto. Feliz da vida e morto de sono, fui pra casa para desmoronar na cama completamente. O GameCube ficava pra depois... ;) Logo que acordei no meio da tarde, dei uma olhada geral no console e passei a alugar alguns games nas semanas que se passaram...

AH! Só pra completar a história inicial, a TV veio na caixa...mas sem controle, nem manual. Detalhe: não havia setup no painel da TV, só no controle remoto (ela era bem reba!). E o suporte de parede, estava quebrado e faltando peças! >:P Não tive dúvidas, voltei na loja e, depois de um semi barraco e torrar a paciência do gerente sobre a falta de informações sobre produtos daquela procedência, consegui meu dinheiro de volta. Liquidação de virada de ano, nunca mais! :P

Com o passar do tempo e depois de muitas locações resolvi investir em um jogo recém lançado: The Legend of Zelda: Wind Waker. :) Com esse jogo, apesar de todo o reboliço que o estilo gráfico dele causou mundialmente, pude ver as boas qualidades do GameCube. Joguei MUITO e espaçadamente, como se quisesse fazer deste que era meu único jogo algo durável. Durou tanto que nem terminei! :D Deixei ele de lado por um tempo e, quando voltei a jogar, eu não sabia mais nem os comandos, nem a história, nem onde deveria ir...nem nada! :( Começar de novo, estava fora de cogitação.

Na real, estava um tanto quando aflito com o console, principalmente pelo fato dos games serem demasiadamente caros na época. Com o custo de 4 jogos, você comprava outro console e isso não entrava na minha cabeça de maneira alguma! A frustração estava instalada e nem era culpa do console mas, do abuso dos impostos sobre games que já arregaçava o gamer brasileiro e nos acompanha até hoje. Depois de muito pensar à respeito, achei que deveria passar o meu GameCube pra frente, para alguém que ficasse com ele e pudesse comprar mais jogos...enfim...melhor do que eu podia. :( Vendi para um usuário do Seganet através do fórum de classificados por R$650,00. Ainda um bom preço! Investi a grana um tempo e depois de juntar mais algum, comprei o cobiçado Xbox mas, essa é outra história para outro momento nostálgico... ;)

MAS...o tempo passou e eu sofri calado, não deu pra tirar o GameCube do pensamento! KKKKK! É... eu não resisti, e comprei em 2008 também nos classificados Seganet outro GameCube, este índigo com um controle preto, um memory card de 59 blocos e alguns joguinhos legais... ;) Joguei um bom tanto nele mas, logo parei devido à preparativos para o casamento que se aproximava. Encaixotei o bichinho e deixei ele em stand by desde então...

A algum tempo atrás, um amigo aqui do trabalho comprou um Nintendo Wii. Empolgado com emulação, homebrew channel e afins, ele me perguntou sobre joystick de GameCube. Como o meu estava parado, não era da mesma cor do console e estava relativamente raladão, resolvi trocar com o cara por uns jogos de Super Nes que ele tinha parados. Logo, ele percebeu que precisaria também de um memory card. Ofereci o meu cartão e em troca ele me fez a caridade de se desfazer de um Nintendo 64 completo. Assim, fiquei sem joystick e memory card e afundei temporariamente a ideia de voltar a jogar GameCube.

Temporariamente, como eu disse...recentemente comprei via Deal Extreme um joystick e um memory card para reaproveitar o console pois a saudade bateu de vez. Mais agora recentemente aproveitei uma outra oferta e comprei 3 cabos RCA simples para uso no Gamecube, Nintendo 64 e Snes e com isso poderei novamente curtir esses consoles... quem sabe com um investimento, pego um cabo s-video mais pra frente para o Gamecube. Quero voltar a jogar e aproveitar bem o console que, se não trouxe tantas alegrias, as poucas que deu foram intensas e memoráveis. Espero revivê-las e colocar um pouco das minhas impressões sobre mais essa velharia da boa aqui no site, em breve. :)

by Luo=-_

GameCube Panasonic Q GameCube com Gameboy Player
GameCube conectado com 2 GBAs Joystick original Memory card
Joystick Wavebird (sem fio) Microfone para jogos de karaokê Bongos para Donkey Konga
Serra elétrica para Resident Evil 4 Tapete de dança Konami Teclado e joystick em um único produto

MARIO SUNSHINE F-ZERO GX METAL GEAR SOLID: TWIN SNAKES
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