CONSOLES, PRA QUÊ MAIS!?

Provavelmente você, quando criança ou quando adolescente, teve um ou outro console de videogame. Talvez tenha tido mais de um ao mesmo tempo mas, também provavelmente, seu pai ou mãe lhe disse algo do tipo: "Pra quê outro? você já tem um videogame!". Se você não ouviu esse tipo de questionamento, meus parabéns! Você está entre os poucos felizardos que não precisaram lidar com este tipo de situação. A questão é que qualquer pessoa que já desejou ter mais de um console ao mesmo tempo, sabe do que eu estou falando.

Mas o que justifica a necessidade de mais de um console?

Hoje em dia o comportamento que mais vemos nos meios "gamísticos" é o bom e velho "O meu é melhor que o seu". Em fóruns de internet e comunidades relacionadas ao assunto, a grande maioria das pessoas gasta mais tempo tentando explanar as qualidades do console que possui, do que efetivamente jogando-o.

Não são poucos os sites especializados em comparar diferenças entre versões do mesmo jogo lançadas para consoles diferentes. Detalhes como sombras, texturas, filtros, quantidade de polígonos em tufos de grama e coisas do tipo, são colocadas em pedestais de importância geralmente muito superior à experiência do conjunto da obra.

Quando me refiro à esta experiência, quero questionar o seguinte: Será que uma textura mais borrada, ou a falta de uma sombra ou reflexão de alta resolução, pode estragar toda uma experiência jogabilística? Será que existindo o mesmo "conjunto da obra", existindo a mesma essência, não será a mesma a experiência do jogador em ambas as plataformas?

O que será que realmente importa num jogo? Somente sua capacidade de exibir polígonos e texturas mil na velocidade da luz? Ficam então em segundo plano itens como história, enredo, ambientação, profundidade, divertimento, entretenimento, etc?

Qual era a qualidade gráfica de um River Raid, do Atari? Na época era o que havia de melhor mas, pelo menos pra mim, ainda hoje, uma partida de River Raid tem o mesmo divertimento e me prende a mesma atenção que me prendia na época. Jogar um Ninja Gaiden no Nes, um Gunstar Heroes no Mega Drive ou um Axelay no Super Nes, tem o mesmo sabor de entretenimento que um Mass Effect no X360, ou um Uncharted no PS3. Afinal de contas, todos são jogos, excelentes jogos.

A pergunta que eu faço aqui é: será que se todo mundo tivesse condições de ter todos os consoles, o comportamento estilo "o meu é melhor" ainda prevaleceria?

Será que a questão de um console ser considerado "melhor" que outro, não é apenas um efeito criado pelo meio em que vivemos? Onde precisamos pagar nossas contas e deixar o divertimento em segundo plano? Eu poderia citar aqui qualidades e defeitos de consoles atuais, mas eu me perderia em informações técnicas que a meu ver, não implicam tanto assim no divertimento do jogador.

Todo console tem suas qualidades e seus jogos "must play". Exclusividades como Marios, Halos e Gods of War tem cada um o seu lugar no mercado, e por que não dizer, na prateleira do jogador. Até mesmo consoles mais antigos possuem jogos que, até hoje, valem cada centavo cobrado por estes (ou cada byte baixado num site de torrents).

Acredito que não existe console melhor ou pior. Existem sim JOGOS. Jogos que infelizmente não rodam todos na mesma plataforma, jogos que no meu caso, não pretendo deixar de jogar por serem deste ou daquele console.

Se a vida deve ser vivida ao seu máximo, a vida de jogador de videogames também deve ser jogada ao máximo, seja num Arcade, num Atari, num Xbox, num Playstation ou num Brick Game 128-in-1.

by Lantis, que joga até paciência java no celular.

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