CHIPTUNES - Um estilo musical

Você sabe que está ficando velho quando pessoas não tão velhas conhecem menos história (videogamística) que você. É fácil encontrarmos hoje pessoas que jamais experimentaram um console 8 ou 16 bits. Para mim, um cara dos anos setenta, fica difícil conceber alguém que não tenha jogado um Atari, ou que não tenha curtido um jogo de nintendinho até de madrugada.

Recentemente tenho ouvido muita música de jogos antigos, clássicos da chamada "era de ouro" dos videogames. E é impressionante perceber a qualidade musical de alguns destes títulos.

Hoje em dia os jogos de consoles modernos utilizam como trilha sonora um simples arquivo de áudio, como se fosse (ou até mesmo sendo) um arquivo mp3. Acho que desde o PlayStation 2 (talvez até um pouco antes) pode-se dizer que quase todos os jogos têm sua trilha sonora efetuada pela execução de um arquivo de áudio mp3 (ou congênere).

Antes disso, boa parte dos consoles gerava músicas utilizando sequenciadores midi, às vezes fazendo uso de algum tipo de wavetable. Mas o que eu quero mostrar aqui é o que existia ainda antes disso.

Antes de se poder sequenciar instrumentos, simplesmente dizendo ao interpretador musical: "toque esta nota deste instrumento", era preciso "programar" uma música, para o chip específico da máquina em que se trabalhava.

De acordo com a Wikipedia: "Chiptune, ou chip music é um estilo musical escrito em formatos de som cujos efeitos sonoros são sintetizados em tempo real por um computador ou console de video game que gera sons característicos de jogos antigos." Existiram inúmeros computadores, consoles e alguns outros dispositivos que fizeram uso desta tecnologia para levar até o usuário, algum tipo de trilha musical.

No saudoso NES, a programação musical era feita desta forma. O código que geraria uma música, era extremamente semelhante a um código de programação que exibiria uma tela, ou que calculasse a posição do personagem na tela, por exemplo. A grande diferença estava em se ter que programar o chip musical para gerar sons eletrônicos que se parecessem com instrumentos de verdade, ou que harmoniosamente pudessem compor uma melodia.

E foi dessa maneira que grandes desenvolvedores/compositores/artistas, criaram pérolas musicais como essas:

Duck Tales - The Moon stage

Mega Man 2 - Dr. Willy stage

Mega Man 3 - Snakeman stage

Ninja Gaiden 2 - Opening

Vale ressaltar que o Nes teve vários "upgrades" no seu sistema musical. Alguns cartuchos possuíam chips especiais que traziam novos "instrumentos" ou sons PCM que aumentavam ainda mais a qualidade das músicas. Em um tempo em que gráficos e sons tinham mais limitações do que possibilidades, jogos eram embalados por trilhas sonoras extremamente criativas.

No Mega Drive / Genesis, o principal chip responsável pelas músicas era o Yamaha YM2612 que trabalhava em conjunto com os demais processadores do console. Talvez até hoje, as melhores trilhas rock/metal/techno de chiptunes, estejam no Mega Drive:

Musha Aleste - For The Love Of

Streets Of Rage 2 - Stage 1-1

Thunder Force 4 - Omake 2

Grandes nomes como Yuzo Koshiro (autor da música do Streets Of Rage, linkada acima) ou Nobuo Uematsu (responsável por trilhas sonoras de diversos volumes de Final Fantasy) começaram suas carreiras nesta época.

O famoso computador de 8 bits MSX, possuía diversas placas de som diferentes. Estas eram conectadas ao computador por meio de um slot externo, e elevavam a qualidade musical de muitos jogos. Talvez a placa de som mais comum do MSX tenha sido a FM-PAC, que possuía um chip extremamente semelhante ao do Mega Drive, gerando excelentes músicas:

Xak Precious Package, The Tower of Gazzel - Opening (no vídeo, pule para 2:10)

Illusion City - Opening (no vídeo, pule para 3:30)

Também no MSX, a Konami tinha a sua própria placa de som, chamada de SCC:

Metal Gear 2, Solid Snake - Opening

SD Snatcher - Opening (no vídeo, pule para 3:35)

Entre os anos 80 e 90, a maior parte das músicas para computadores e consoles de videogame era produzida desta maneira. E era nessa época que pessoas que hoje tem lá seus 30 anos, desfrutavam de toda essa criatividade sonora. Isso fez com que se criasse uma cultura "chiptunesca", gerando grupos como o ANAMANAGUCHI, uma banda especializada em chiptunes. Os caras tocam com guitarras, baixos, baterias e é claro... chiptunes! O site deles tem alguns downloads gratuitos, vale a pena conferir.

Podemos também ver criações que transportaram músicas de consoles atuais para a era do chiptune, como a versão 8 bit da trilha sonora do estágio Gusty Garden Galaxy de Super Mario Galaxy do Nintendo Wii:

Original:

8 bit:

Ou então criações mais "pop", como esta de T+pazolite baseada na música do Mega Man 2 (postada lá em cima):

Recentemente, um cara chamado Linus Åkesson criou o CHIPophone, um instrumento criado especialmente para se tocar chiptunes:

Já faz quase trinta anos que os chiptunes deixam sua marca em nossa cultura e aparentemente (e felizmente) por mais que se tornem obsoletos, serão eternamente lembrados e homenageados por aqueles que tiveram a sorte de ter acesso aos seus bits e bytes musicais.

By Lantis, que volta pra casa no fim do dia cantarolando músicas chiptunescas.

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